“Bianca não era o tipo de pessoa que acreditava no amor sincero e verdadeiro. Já havia se desiludido em muitos de seus relacionamentos longos e decidiu que não iria se apaixonar tão cedo pelo primeiro cara que surgisse em sua frente. Queria mesmo era curtir sua vida, em sua pacata casa e seu tranqüilo curso de fotografia – o que era praticamente sua vida. Andava para todos os lados com sua câmera – uma analógica muito antiga, que foi herdada de seu avô – tirando foto de tudo, desde uma formiga andando no chão carregando uma folha, passando por uma nuvem num formato engraçado e até velhinhos felizes pela praça. Essa era sua vida. Quase não saia de casa e quase não tinha amigos – pode se dizer que os que tinha, poderia contar nos dedos de apenas uma mão.
Quando saía de casa, gostava de lugares calmos e tranqüilos, pois era lá que encontrava boas pessoas para conversar assuntos interessantes – ao seu ponto de vista.
Ia frequentemente ao Eiffel’s Coffee, local onde bebia seu cappuccino, tirava algumas fotos e batia longos e inesquecíveis papos com os viagra purchase online amigos.
Insuportável, fútil e inescrupuloso. Essas são as principais características de Marcos, o tipo de cara que todo mundo conhece, mas ninguém simpatiza com o sujeito. De uma família de classe média, gastava mais que podia indo em festas badaladas e consumindo tudo o que o dinheiro pode comprar. Este sim tinha vários amigos, mas a grande maioria por interesse, graças a sua fama de “popular”. Agora amizade verdadeira – essas da realidade – este não conhecia nem o cheiro.
Por gastar quase todo seu dinheiro em suas futilidades, acaba zerando sua conta bancária e fica sem saber o que fazer.
No meio da tarde, pegou sua bolsa, câmera saiu por ai. Bianca gostava dessa liberdade de poder sair a hora que quisesse do local de trabalho, para curtir um pouco seu dia e pensar um pouco na vida. Foi direto ao Eiffel’s Coffee e sentou-se na mesa de sempre – a que ficava em frente a janela – e logo pediu um café. Era só olhar para o garçom e ele já sabia o que trazer. Ela gostava mesmo é de olhar o movimento da rua, ver como as pessoas agiam naturalmente ao andar pelas ruas. Seu grande sonho era conseguir ler os pensamentos das pessoas. Imagine que mágico seria poder ler a mente da criança de frente com um palhaço fazendo palhaçadas sem graças e entender o porque do sorriso dela tentando fazê-lo feliz. Ou então a mulher cheia de problemas em sua vida, que conversa naturalmente com o pintor de quadros da rua para tentar se distrair. Tudo isso era registrado pela câmera de Bianca que, assim que chegava em casa, corria para seu mini estúdio fotográfico e revelava todas as fotos. Depois analisava-as com muito carinho, tentando, novamente, descobrir o que se passava na mente dos outros.
Marcos conversou com os pais – com quem morava – e eles falaram que não iriam mais “bancar” todas as festas que freqüentava e que ele teria que procurar um emprego para ter um rumo em sua vida. Já que sem dinheiro não podia ter sua vida social no topo, decidiu ir, mesmo contra sua vontade, procurar um emprego.
Passou-se alguns dias e lá estava Marcos trabalhando, mal humorado, no tão calmo e sossegado Eiffel’s Coffee. Aquele lugar para ele era o cúmulo da chatice e estava odiando trabalhar ali.
Sua primeira cliente foi Bianca, que sentou-se no mesmo lugar e logo olhou para Marcos – que, logicamente, não entendeu o que aquela garota tanto o olhava. Depois de uns cinco longos minutos, Bianca decide chamá-lo para perguntar o que havia acontecido.
Você é novo por aqui?
Sou. Como sabe? – ele a responde com um certo espanto.
Logo imaginei. Sempre venho aqui e assim que sento já trazem meu café. Mas tudo bem, quero um cappuccino grande com creme e canela, por favor.
Logo Marcos lhe trouxe seu café e Bianca ficou ali por um longo tempo. Ele, por sua vez, atendeu mais uns clientes e continuou odiando aquele local.
Bianca pagou a conta e saiu fotografando alguns lugares ali por perto. Depois passou na casa de Augusto, seu melhor amigo. Era com ele que Bianca desabafava porque já o conhecia desde criança – e também porque que seus pais haviam deixado-a, morrendo em um acidente de avião. ”





