Eis que eu venho desabafar neste blog uma situação que rolou comigo nesta semana. Para ser mais precisa, na sexta-feira. Mas, como toda história retardada que eu conto aqui, preciso de uma introdução.
Todos sabem que até algum tempo eu tinha um certo medo de agulhas, mas o medo passou quando eu coloquei um piercing, fiz duas tatuagens e tive constantes infecções intestinais (que me fez ficar muitas vezes com uma agulha no braço, com soro e blá blá blá). Ano passado, recebi uma noticia que me fez perceber que o meu medo de agulhas foi substituído por um incontrolável medo de dentistas. Não dentistas normais, mas aqueles que cismavam em querer arrancar meu lindo dente siso.
Estou convivendo com minha mãe me torrando o saco por causa desse dente siso há mais ou menos um ano – desde quando a dentista falou “tira essa merda logo!” (não desse jeito, mas né?). E qualquer pessoa fã do Green Day (como vocês já notaram que eu sou) deve ficar com um pé atrás em extrair dentes após ver o clipe de “Geek Stink Breath”. Portanto essa história não estava me cheirando bem.
Semana passada, minha mãe chega dizendo marotamente que marcou meu dentista para sexta-feira. WTF? Como assim ela marca a extração de um dente siso MEU sem minha autorização? Achei que ela estava blefando, como na maioria das vezes que ela dizia que havia marcado meu dentista, mas não. Ela falava sério. Sexta-feira, às 13h30, estava eu indo ao dentista, me cagando de medo MESMO, com a cena de “Geek Stink Breath” passando diversas vezes na minha mente. Porque DIABOS uma banda faz um videoclipe com um extração de dente? Não tem nada de musical nisso, viu Billie Joe.
Sentei na sala de espera e comecei a ler uma revista que já estava meio aberta e amassada em cima do sofá. Não lembro muito bem o que era, mas lembro que tinha uma foto da mulher do Jairzinho com a filha fazendo poses num lugar bonito. A revista devia ser Caras, sei lá. Bem coisa de consultório de dentista mulher. Ela estava com um paciente lá dentro, conversando alegremente alguma coisa sem sentido, e a vontade que eu tinha era de sair correndo – já que ela não tinha notado minha presença por lá. Porém minha mãe ria da minha cara e me olhou sério quando eu cogitei sair loucamente de lá. Eis que o paciente saiu e era minha vez de entrar. Ela notou que eu tava com medo. Obvio. Acho que não consegui disfarçar minha face de desespero. Eu estava tão desesperada, que cheguei ao ponto de folhear uma CARAS, meu povo. UMA CARAS! Entrei na sala da tortura, a dentista me abraçou, me beijou e falou pra eu sentar na cadeira legal. Ok. Tudo bem por ai. Pra me deixar CONFORTÁVEL, ela ficou uns 30 minutos (mais, se duvidar) me dando uma aula de como cuidar dos meus dentes e falando mal de Mc Donalds, Coca Cola e doces (coisas que, lógicamente, eu não vivo sem). Entre uma frase e outra, ela pegava um alicate (esses de dentista, certamente para tirar o dente), uma “seringa” pra dar anestesia e um troço com uma ponta estranhozão (sei lá pra que congas era aquilo).
E depois de falar, falar e falar, ela resolve extrair o meu dente. Sim, neste momento todo o clipe do Green Day passou na minha cabeça. Ela me deu umas 3 agulhadas de anestesia (uma no céu da boca que doeu DEMAIS. Tipo, eu CHOREI de dor. E não é viadagem. Doeu MESMO!) Eis que ela pega a broca, dá um furo no meu dente e pega o tal troço com a ponta estranha. Foi em menos de um minuto, eu ouvi um crack, mas não doeu NADA. Quando eu pensei em falar alguma coisa, a dentista falou “já foi”. Eu, não acreditando ser tão rápido assim, falei um “ãn?” com uma voz estranha, já que eu estava com a boca aberta e um dente pendurado (e sangrnado). Ela olhou pra mim e falou “já extraí teu dente, ó”, me mostrando um dente siso ensangüentado. Tenho problema com sangue. Se eu ver sangue meu saindo de algum lugar, já elvis. Então imaginem como foi pra eu ver meu dente ensangüentado. Isso sem contar que aquele buraco ficou sangrando por horas, e a cada troca da gaze da minha boca era uma tontura que me dava.
O sonho de arrancar o siso e ter baldes de sorvete para tomar sem culpa é mentira. Eu ganhei, no máximo, um suco de morango e um a garrafa de um litro de Pureza.
Isso é apenas o começo, já que ainda me restam três lindos entes para extrair. Enquanto isso eu me contendo em comer apenas do lado esquerdo, com a cabeça viradinha, parecendo uma retardada, até esse buraco desgraçado fechar.